Personal driver socorre bêbados em Campinas - 31/08/2008
"Se beber não dirija, chame um Personal Driver", é a frase precedida dos números de telefones estampados nas laterais do carro usado por Vanderlei da Costa nas noites de trabalho no município de Campinas (SP). Ele atende sua clientela, em geral, freqüentadores de choperias, restaurantes, churrascarias, bares, casas noturnas, festas, casamentos, onde há consumo de bebidas alcoólicas.
O cliente entrega as chaves do veículo para que Costa assuma o volante e siga até o endereço combinado, evitando provocar um acidente, ser multado, perder a carteira ou ainda ser preso.
O personal driver conta com o apoio de dois colaboradores - um motorista e um motoqueiro. Ambos fazem o trabalho de buscá-lo. "Quando o movimento aperta todo mundo pega no volante e eu vou buscar o pessoal que foi levar o cliente", explica.
A partir de quarta feira, quando mal começa a escurecer, as pessoas telefonam para agendar ou pedir informações sobre o serviço, de acordo com Costa. O personal driver é um motorista particular, contratado pelo menos até durar a corrida. A empresa já tem 20 clientes cadastrados.
O serviço de personal driver custa R$ 3 e mais R$ 1,50 pelo quilômetro rodado. Nos demais dias da semana, é realizado um plantão. Durante o dia não há pedido de serviço. Com o tempo, o empresário pretende ampliar e atuar em qualquer hora.
Costa diz que já foi chamado para diferentes situações. Em um fim de semana, por exemplo, ele foi contratado pelo gerente de uma loja de calçados que realizou um desfile de coleção e ofereceu um coquetel para convidados. Em outra situação, um homem que não gosta de dirigir à noite acionou o personal driver após uma reunião de negócios. "Acho que ainda tenho muito a descobrir neste mercado".
O seu trabalho não conflita com o dos taxistas, diz Costa. "São atuações diferentes, cada um tem o seu mérito e espaço definidos". Um táxi busca e leva o passageiro. Já o personal driver é aquele que é chamado para levar o carro e o dono do carro. "O personal driver é um serviço e não um transporte".
Lei seca a favor
Costa é um ex-representante comercial que se convenceu e decidiu apostar na atividade profissional de personal driver. Sua decisão foi reforçada após entrar em vigor a lei seca para os motorista.
"Em Londres, o personal driver utiliza um tipo de moto dobrável que é guardada no porta malas do cliente e que depois será usada na volta dele", explica. Porém, como não dispõe desse recurso tecnológico, o trabalho é concluído com os ajudantes - um motorista, um motoqueiro e a mulher, que faz a comunicação dos pedidos nas central.
Happy hour
O comerciante Sandro Anderson, 27 anos, do Jardim Proença, em Campinas, aprecia um happy hour com amigos e já utilizou o personal driver para voltar para a casa quando estava desacompanhado. Pelo menos duas vezes por semana deixa o escritório para se encontrar com amigos em uma rodada de chopp. Prefere o conforto de seu próprio carro. "É até mais barato do que um táxi, por exemplo, por que o gasto extra é só na volta", compara.
Ele acha a lei seca muito rígida, mas concorda com ela. Para ele, varia muito a resistência física de cada um. A ingestão de apenas um copo pode gerar multa de infração de trânsito. Já quem consome cinco choppes pode estar cometendo um crime. "E é difícil ficar apenas com um chopp a noite inteira".
A secretária Ivani Onishi tem três filhas maiores de idade. A família costuma sair para comer pizza e jantar fora. Todos gostam de cerveja. "Eu adoro cerveja, mas deixo umas latinhas na geladeira de casa me esperando. Quando saímos sempre sobra para eu voltar dirigindo."